terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

A carta!

Vou escrever-te uma carta (que nem sei se um dia terminarei).

Querida avó,

Imagino vezes sem conta, quanto abençoada fui por te ter a meu lado. O quanto foste importante ao longo da minha vida.
Recordo a infância. A minha eterna cúmplice. 
Eras tão pequenina e tão grande... 
Sabes acho que ainda tinha tantas coisas para fazer contigo, partilhar contigo. Os teus 97 anos de vida não me deram tempo. Talvez nunca houvessem anos suficientes. A verdade é que, isto sem ti se transforma num abismo difícil de enfrentar.
Ninguém sabe respeitar os meus silêncios. Ninguém me dá espaço. 
Tal como te disse um dia: " às vezes é preciso saber dizer adeus". 
Achei que merecias partir. Que a vida a prolongar-se seria tortura para ti e para mim. Mas sinto demasiado a tua falta. Esta é a única forma que encontrei para te ter mais perto.
Ainda consigo sentir o teu cheiro. Cuidar de ti, foi um misto de sensações. Sei que gostavas de me ter por perto.  Sei que quando deixaste de conseguir falar, os teus olhos falavam por ti.
As nossas fotos... Sempre achei que as duas juntas éramos modelos de calibre internacional.
Vou recordar aqui os nossos momentos. Aqueles só nossos.
Isto vai ser o meu cantinho secreto. Não te prendo "aqui"... É apenas mais uma forma de estarmos juntas.
(cont.)

Morgana